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  • Fabrício Souza

Sequestro por aplicativo: sua conta do WhatsApp

Em tempos onde são cada vez mais frequentes sequestros de contas WhatsApp, você sabe o que fazer para evitar cair em golpes ou ainda, como recuperar sua conta caso ela seja invadida?




O aplicativo WhatsApp, do Facebook, é o mais popular no Brasil de acordo com o último levantamento da consultoria americana eMarketer, somando mais de 120 milhões de usuários no país e é o principal meio de comunicação de muitas pessoas.


O download e ativação da ferramenta são muito simples. Basta você baixar o aplicativo gratuitamente e vincular um número de celular. Para isso o sistema envia um SMS de verificação para o telefone informado, que pode ser lido automaticamente pelo app ou ser inserido manualmente. E é nesta etapa que os bandidos agem.



De posse do número de celular da vítima, golpistas ligam ou enviam mensagens oferecendo supostos prêmios, ou até mesmo dizendo que são de algum banco ou do próprio WhatsApp e que perceberam alguma movimentação anormal na conta do usuário e que precisam realizar uma verificação.

Também tem sido comum, bandidos informarem que são de sites de anúncios, onde normalmente conseguem o número da vítima do golpe.


No momento do contato eles cadastram o número da vítima no aplicativo em um celular da quadrilha, sendo enviado automaticamente um SMS com o código de ativação no celular original. Basta então que a vítima informe este código para que a conta do aplicativo seja transferida para o novo aparelho (sequestrada).


Daí em diante, os invasores podem utilizar a conta da vítima para pedir dinheiro aos contatos, o tipo de golpe mais frequente, fazer chantagens ou divulgar informações como contatos e conversas da vítima.


É importante se precaver para não ser vítima deste tipo de golpe tão comum. Veja que para aplicá-lo, não é necessário utilizar de vírus ou qualquer ferramenta sofisticada. Basta que golpista tenha o número do alvo e um smartphone com internet. O restante é feito através de engenharia social, extraindo da vítima toda informação necessária.

Assim, devemos aplicar três fundamentos da segurança da informação: proteja, desconfie, apure.


O primeiro passo é ativar a verificação em duas etapas, recurso oferecido pelo próprio aplicativo.

Com isso, torna-se obrigatório inserir a senha quando for cadastrar sua conta em um novo aparelho.


(Veja como ativar a verificação em duas etapas no link: https://faq.WhatsApp.com/pt_br/android/26000021/)


Além disso, não divulgue seu número desnecessariamente, como em sites de anúncios e cadastros que você não vai utilizar. Participe somente de grupos que lhe sejam realmente úteis. Provavelmente você participa de grupos que não conhece todas as pessoas.

Mesmo com esses cuidados, não deixa de ser muito importante seguir os demais princípios: Desconfie de ligações oferecendo prêmios e vantagens, principalmente de algo que você não fez nenhum tipo de inscrição ou de uma empresa que não é cliente. Alguns golpistas mais sofisticados (e bem informados) sabem por exemplo em qual banco você tem conta, e podem usar este tipo de informação para te enganar.

Outros usam informações que você postou em algum anúncio ou mensagem em grupos e outras mídias.

Quando desconfiar que possa estar passando por uma tentativa de golpe, ganhe tempo, diga que irá retornar, etc. Nunca, em hipótese nenhuma, informe códigos de verificação recebidos por SMS.

Confirme a informação com a empresa que a pessoa do outro lado da linha alega ser. De preferência, utilize outro telefone para esta verificação.

Do mesmo modo, caso receba mensagem súbita de algum dos seus contatos solicitando dinheiro ou alguma informação incomum, tente imediatamente falar com esta pessoa por outro meio de comunicação.


Uma dica a mais:

Você tem aquele telefone pré pago e não faz recarga a algum tempo mas continua utilizando o número no WhatsApp?

Corre! Troque seu número, caso tenha outro telefone, ou recarregue seu celular, caso pretenda continuar utilizando o número da linha.


(Para trocar o número, siga estes passos: https://faq.WhatsApp.com/pt_br/iphone/24881042/?category=5245246)


De acordo com resolução da Anatel, a operadora pode cancelar uma linha 60 dias após o fim do prazo estipulado para recarga.

Caso sua linha seja cancelada, você não poderá mais receber o SMS de ativação do aplicativo, assim não conseguirá mais ativá-lo em nenhum celular.

E a pior notícia: as operadoras disponibilizam os números cancelados para novos usuários. Com isso, outra pessoa poderá receber seu antigo número e ativar o aplicativo com ele.


A alguns dias comprei um chip e ao configurar o WhatsApp descobri que havia uma pessoa que estava utilizando o número apenas no aplicativo até a data da minha compra.

Logo que instalei percebi que havia foto de perfil e conversas salvas em backup, indicando que o último dono do número não apagou a conta.

A pessoa me procurou imaginando que eu havia roubado sua conta, porém confirmou que estava a muito tempo sem realizar recarga do seu pré pago e que a linha havia sido cancelada. Eu disse que lamentava mas nada poderia fazer, pois já havia limpado todas as configurações de perfil e conversas. De fato o fiz.


Agora imagine se alguém de má fé ativa a conta do aplicativo e recupera todas as suas conversas e contatos…


Exceto no caso do telefone pré pago cancelado, há formas de reaver sua conta.

Se teve sua conta do WhatsApp roubada e está com seu telefone em mãos, tente imediatamente configurar novamente o aplicativo, fazendo com que um novo SMS de ativação seja enviado para seu número. Conclua o processo de cadastramento.

Assim que ativar novamente seu número no mensageiro, a outra pessoa que o instalou perderá o acesso.


É importante que você informe à polícia, mesmo que consiga reaver sua conta, pois os estelionatários aplicam este tipo de golpe em milhares de pessoas e normalmente deixam pistas.


Proteja, desconfie, verifique. Custa nada.


O Autor


Fabrício Souza

https://www.linkedin.com/in/fabricio-souza-047



Co-fundador e administrador do Fórum de GR. Coordenador de Riscos na Ativa Logística.


Formado em Logística com especialização MBS em Gestão de Riscos Corporativos e Certificação Profissional em Gestão de Riscos.

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