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O que revelam os dados sobre o Roubo de Cargas no Brasil em 2020

Os números de Roubo de Carga consolidados de 2020 foram divulgados recentemente pela NTC & Logística, então atualizamos a nossa coleção de dados do FÓRUM DE GR sobre o roubo de cargas no Brasil, onde consta a série histórica acumulada e alguns comparativos. Em 2020 os números apontam uma retração de 22,97% em comparação com o ano anterior, em linha com os 22% que havíamos calculado e postado neste artigo publicado em 23/02/2021 sobre o tema.



Houve 14.159 roubos de carga registrados no Brasil, ou seja, um roubo de carga a cada 37 minutos, portanto, apesar de estarmos diante de números melhores do que nos anos anteriores, ainda é um volume expressivo e que mantém o país no primeiro lugar do ranking mundial de roubo de cargas (se excluirmos países em situação de guerra).




Considerando o número de eventos, podemos observar que foi o melhor índice dos últimos anos (similar aos números de 2012), porém, somente em perdas diretas, representou R$ 1,25 bi ou, se preferir, aproximadamente 0,02% do PIB.



O Sudeste concentra 81,33% das ocorrências, sendo que 41,80% das ocorrências no Brasil foram em SP e 35,21% no RJ. SP assume novamente a pior posição em relação aos roubos de cargas no país, mas apresenta índices em 2020 que não verificávamos desde 2004.



Verificamos ações criminosas direcionadas a cargas de maior valor agregado, restando uma média de R$ 88.415,14 por evento, sendo a maior média dos últimos anos. R$ 60.609,94 em 2017, R$ 66.409,23 em 2018 e R$ 76.058,64 em 2019. Entre os produtos mais visados, estão os gêneros alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, combustíveis, bebidas, artigos farmacêuticos, autopeças, defensivos agrícolas e têxteis e confecções.



De acordo com a assessoria responsável pelo levantamento da NTC & Logística, a redução nos números tem muito a ver com o investimento alto das empresas em tecnologias e medidas de segurança em suas operações, o que possibilita uma resposta muito mais rápida e ativa em relação às tentativas de delito, e, também, com o trabalho dos órgãos de segurança pública, que têm atuado com mais rigor no combate aos delitos de roubos de cargas. Concordamos com a afirmação, todavia, no nosso entendimento e com base no que acompanhamos nos grupos do FÓRUM DE GR em 2020, parte das operações foram impactadas pelos reflexos da pandemia e tiveram suas movimentações – menos ou mais, dependendo do nicho de atuação – impactadas, o que entendemos também refletir na queda do número de eventos de roubos de cargas. Fundamental percebermos que a gestão de riscos necessita ser avaliada com base em análises prospectivas [que não se trata de uma projeção matemática e/ou um cenário projetivo (baseado apenas no passado), pois consiste em uma análise que utiliza os dados do passado e o que está ocorrendo hoje (contexto interno, externo, política, economia, benchmarking e etc) para que se possa direcionar os esforços] onde a missão é enxergar o todo, dentro e fora das companhias e saber que abrange o operacional e o estratégico, o físico e o digital e muito mais do que uma área de segurança. Como insistimos em seguir sem o devido enfrentamento por parte das autoridades e da segurança pública, os números do corrente ano tendem a permanecer nos mesmos patamares de 2020 e servem para robustecer a importância da área de gestão de riscos e a necessidade de desenvolve-la continua e ininterruptamente para perseguir bons resultados.

O Autor


Leonardo Cerqueira Souza

https://www.linkedin.com/in/leonardo-cerqueira-souza-28018531/



Co-fundador e administrador do FÓRUM DE GR


Risk Manager na Ativa Logística.



MBA em Gestão de Riscos Corporativos pela FGV e graduado em Logística, com mais de 15 anos de experiência em Gerenciamento de Risco, Logística, Segurança Empresarial e Processos.



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