Cai quem [o golpista] quer.

Atualizado: 28 de mar.




Como é o perfil de um fraudador? Como se parece?


No que diz respeito à aparência, geralmente é a melhor possível. Afinal, se a intenção é enganar, tudo começa com uma imagem adequada ao plano.


Falaremos aqui sobre golpes contra pessoas, deixando um pouco de lado as fraudes ligadas a esquemas criminosos empresariais e políticos, tipos mais avançados e estruturados de prática que envolvem os mesmos princípios da mente criminosa, mas que demandam uma arquitetura complexa e uma série de arranjos entre pessoas e organizações mal intencionadas.

Alguns fraudadores agem no escuro, no anonimato das redes sociais, através de uma linha telefônica ou até sistemas sofisticados. Outros, porém, utilizam seu talento de persuasão para aplicar seus golpes pessoalmente, bem na cara da vítima, como se fosse um ilusionista. Estes, geralmente têm boa conversa, são divertidos, parecem bem sucedidos, acima de qualquer suspeita. Ou então, parecem frágeis, precisando de ajuda, sendo muito gratos por auxílio, sobretudo monetário.


Veja que são perfis bem distintos, embora alguns fraudadores utilizem os dois ou transicionem de um para o outro ao longo de um golpe.


O que têm em comum é que precisam a qualquer custo, convencer a vítima primeiro a dar atenção, a abrir algum espaço em sua vida para que ele entre. Geralmente dão provas de confiança logo no início. Aparecem do nada e logo estão, de alguma forma, envolvidos afetivamente e presentes na rotina da vítima.


Algumas fraudes ocorrem de forma rápida, como ataques cibernéticos, clonagem e sequestro de redes sociais e acessos a sistemas, ou ataques a contas bancárias.

Outras podem levar anos. Estas são justamente aquelas onde as vítimas são mais envolvidas, sentimentalmente e socialmente.O golpista pode interpretar o papel de namorado, amante, sócio, amigo. Pode conviver por longo período e se aproximar interinamente de quem escolheu para praticar seus planos de enganação.


O que todos os golpistas têm em comum? A ganância. Eles não param.

A busca por dinheiro ou status é insaciável. Por mais que estejam em uma situação confortável, haverá uma próxima vítima, uma próxima ação.



O estudo da mente fraudadora, ou da mente criminosa em geral, é um tema complexo e com muitas controvérsias. Estes estudos normalmente associam o comportamento criminoso à sociopatia ou psicopatia.

O desprezo de um fraudador pela vida e sentimentos alheios é uma característica dominante é perceptível, desde que observado com muita atenção.


E como geralmente terminam estes criminosos? Seguindo a vida.


Muitas vítimas nem se dão conta de que foram enganadas, podendo imaginar que foi uma jogada de azar, que escolheram mal a pessoa com quem se relacionam e até que a culpa do dano sofrido foi delas próprias. Quando na verdade, o fraudador é quem escolheu bem a pessoa em quem aplicaria mais um golpe.

Algumas vítimas se sentem constrangidas a ponto de esconder a história, mesmo de pessoas de seu convívio, assim, os casos não são noticiados às autoridades e permanecem, para conforto dos criminosos, em sigilo.


Por tantas vezes, a vítima é induzida de forma muito sutil a entregar tudo que o golpista quer, seja em forma de presente, doação ou negociação, não deixando nenhuma evidência de crime, fazendo com que mesmo que haja notificação à polícia, não existam elementos suficientes para uma condenação. Assim são os casos onde envolve relacionamento afetivo.


O tema fraude é muito complexo, pois existem vários tipos, muitas formas de aplicação e muita criatividade dos criminosos.

Mas também existem métodos de proteção. O principal deles é nativo do ser humano, o desconfiômetro.


No mundo corporativo, ferramentas tecnológicas e processuais ajudam a inibir e reduzir o número de casos e seus impactos.

Práticas de compliance e de segurança são moldadas a cada dia para prevenir tentativas mal intencionadas e cobrir brechas identificadas.

Assim como nas empresas, em nossa rotina a vigilância deve ser constante, é preciso estar atento e conhecer as principais práticas criminosas para assim, quem sabe, não ser mais uma vítima.

Não conceder acesso à rotina e informações preciosas a pessoas desconhecidas ou recém conhecidas pode ajudar a evitar alguns transtornos. Importante levar em consideração aquele velho ditado que versa sobre "quando a esmola é demais".



Se você se interessa pelo tema e gostaria de conhecer detalhes de alguns casos reais, sugiro os materiais:


Documentários:

“O golpista do Tinder” - dirigido por Felicity Morris (2022) - Disponível na Netflix

“VIPs: Histórias reais de um mentiroso” - dirigido por Mariana Caltabiano (2010)


Livro:

“Mentes perigosas - o psicopata mora ao lado” de Ana Beatriz B. Silva. (2008)



 

O Autor:


Fabrício Souza


https://www.linkedin.com/in/fabricio-souza-04750a87/


Coordenador de Riscos na Total Express

Co-fundador e administrador do Fórum de GR.



Formado em Logística com especialização MBS em Gestão de Riscos Corporativos, Certificação Profissional em Gestão de Riscos e Certificação em Compliance.

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