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  • Leonardo Cerqueira

Coleção de dados sobre o roubo de cargas no Brasil - versão comentada



Com base no documento atualizado por mim para o FÓRUM DE GR em maio de 2020 e divulgado em https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6670712298417524736 nesta versão comentada você encontrará os dados relativos aos roubos de cargas no Brasil e em algumas regiões específicas, sendo dados e informações coletados junto aos órgãos oficiais competentes e que fazem parte da coleção de dados do FÓRUM DE GR.

NOTA: Para 2019, consideramos os números apresentados pela NTC & Logística divulgados recentemente e, portanto, atualizamos as nossas bases de dados, substituindo os dados anteriormente divulgados pelo Ministério da Segurança, visto que os dados não coincidem.



O RELÓGIO DO CRIME



Em 2019 houve um roubo de carga a cada 29 minutos, portanto, apesar de estarmos diante de números melhores do que nos anos anteriores, ainda é um volume muito expressivo e mantém o Brasil no primeiro lugar do ranking mundial (se excluídos os países em situação de guerra).



Os números de 2019 revelam uma retração de 17,14% em comparação com o ano anterior e, pela primeira vez, verificamos dois anos seguidos com este movimento.

Em número de eventos, retornamos ao patamar de 2014.




O Sudeste concentra 84,26% das ocorrências, sendo que 40,56% das ocorrências gerais foram no RJ e 39,85% em SP, ou seja, novamente o RJ superou SP no número de eventos.

Vale ressaltar que tanto a malha viária quanto o volume de operações no RJ é inferior ao de SP, portanto a diferença na porcentagem, quando melhor avaliada, mostra que a situação no RJ é muito pior.



Considerando os valores dos roubos de carga em 2019 e 2018, por exemplo, podemos verificar que, apesar do número de eventos ser menor em 2019 a representatividade por evento (prejuízo) é maior, ou seja, tivemos eventos mais concentrados em cargas de elevado valor agregado.


OS ALVOS


Nesta versão de 2019 foi incluído DEFENSIVOS AGRÍCOLAS e retirado QUÍMICOS (presente até 2018).

Alterações no ranking foram notadas, principalmente PRODUTOS FARMACÊUTICOS e COMBUSTÍVEIS que subiram no ranking e ELETROELETRÔNICOS que caiu em relação aos anteriores.





ROUBO DE CARGA X PRODUÇÃO NACIONAL


O PIB brasileiro em 2019 foi de R$ 7,3 bi e, estabelecendo uma relação entre o prejuízo com o roubo de cargas e o PIB nacional, chegamos a uma constatação um tanto quanto interessante, onde é possível constatar que a relação permanece praticamente inalterada desde 2013, ou seja, mesmo com tudo que sofremos, aprendemos, pensamos, implantamos e evoluímos, perdemos os mesmos 0,02% do PIB em prejuízos diretos com os roubos de cargas.




DESTAQUES POSITIVOS


Em MG verificamos, em 2019, o melhor número da série histórica considerada (de 2015 a 2019).

O estado, que além de ser um dos principais centros econômicos do país, liderando produções como laticínios e mineração, recebe a principal malha viária de ligação entre as regiões sul/sudeste e nordeste.


A redução de eventos de roubos de carga em SC foi de 70%, saindo de 198 casos em 2018 para 60 em 2019.

Desde 2018 Santa Catarina tem uma delegacia específica para o combate ao roubo de cargas (Divisão de Furtos e Roubos de Cargas - DFRC). A instalação teve apoio de setores da economia, inclusive da Federação das Empresas do Transporte de Carga do Estado (Fetrancesc).




CENÁRIO 2020


Temos notado uma migração temporária da criminalidade para crimes PATRIMONIAIS, sejam estes em indústrias, Centros de Distribuição, armazéns e transportadoras que, em função das novas rotinas “durante a pandemia”, estão com menos fluxo de operação e/ou aquelas que diminuíram, por qualquer motivo, seu efetivo de segurança.

Por conta do pagamento do auxílio governamental, agências bancárias e lotéricas operam com volume de dinheiro muito superior ao convencional e, por isso, tem sido alvo prioritário nestas ações criminosas, sobretudo nas cidades interioranas.


Concluindo sobre os números de roubo de cargas, notamos que os investimentos realizados por parte das empresas, os avanços tecnológicos e a maior integração público x privada (mesmo que apenas na troca de informações) certamente colaboraram muito com os avanços que verificamos.


Importante lembrar que estamos diante de elevados índices de desemprego (com tendência de piora se não avançarmos na retomada da economia – mesmo que por questões maiores, de saúde), questões econômicas, financeiras, políticas e conjunturais (no Brasil e no planeta) que fazem com que o cenário 2020 seja, talvez de uma forma jamais experimentada, desafiador.

No transporte rodoviário de cargas em 2020, se descontado o "período com o transporte parado/diminuído por conta da pandemia" (Pandemia de Covid-19 decretada pela OMS em 11/03/2020) a tendência é de manutenção do patamar de sinistralidade do último ano.


No fim das contas, com todo o aparato empregado pelas organizações de segurança, sejam públicas ou privadas ainda perdemos a mesma fatia do PIB para o crime organizado que se mantém ativo no segmento do roubo de carga. No entanto, isso mostra que o esforço é necessário, pois na ausência de toda a inteligência e ferramental empregada por gestores de risco, estaríamos em uma situação caótica com perdas ainda maiores, comprovando a necessidade de priorizar a área de gestão de riscos e desenvolvê-la continuamente.




O Autor

Leonardo Cerqueira Souza

https://www.linkedin.com/in/leonardo-cerqueira-souza-28018531/



Co-fundador e administrador do FÓRUM DE GR

Risk Manager na Ativa Logística.

MBA em Gestão de Riscos Corporativos pela FGV e graduado em Logística, com mais de 15 anos de experiência em Gerenciamento de Risco, Logística, Segurança Empresarial e Processos.

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