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  • Helbert Telles

A importância de prever Riscos e Custos quando ocorre o roubo no transporte rodoviário de cargas

Atualizado: 2 de Mai de 2019

Caro leitor, nesta publicação, gostaria de falar um pouco sobre a importância de prever os riscos e custos em uma operação de transportes. Para isso, após algumas análises de dados empíricos e simulações de possibilidades de ocorrências de ação de roubo levando em conta diferentes tipos de carga, uma análise de risco foi realizada usando algoritmos originais desenvolvidos com base em redes neurais artificiais que consideram, entre outros fatores, a probabilidade do risco de roubo para diferentes tipos de carga.


Assim, a pesquisa e o método descritos nesta publicação permitem que os gestores e/ou engenheiros de risco utilizem uma ferramenta ou até mesmo, um programa de simulação que facilite o processo de tomada de decisões sobre seguro de carga adicional ou o uso de sistemas de monitoramento para a localização e os parâmetros da carga.


Inicialmente, é de suma importância, considerarmos sobre o ponto de vista da cadeia de suprimentos, a análise de risco para cada elemento que está envolvido nesta atividade (cadeia de suprimentos) e, obviamente, isso inclui a identificação dos possíveis riscos. Logo, quando falamos em processos de transporte de cargas, são necessários a identificação de locais suscetíveis a falhas e o reconhecimento dos riscos atuais e potenciais.


Apenas para se ter uma ideia, de acordo com a Associação de Proteção de Ativos Transportados (TAPA), em 2015, foi registrado um crescimento de roubo de carga com 1.515 eventos (somente roubos), que representam um aumento de 37,4% em relação ao ano anterior.


Para termos uma posição mais clara sobre o assunto em questão, somente nos Estados Unidos, em 2015, quando se fala em roubo de carga, o valor médio de perda de cada carga por sinistro foi de US$ 187.490.


Atualmente, também podemos encontrar vários artigos que tratam de temas e questões relacionadas ao gerenciamento de riscos voltado às atividades que envolvem a cadeia de suprimentos. Com isso, a avaliação de risco no transporte rodoviário de cargas é um tema frequentemente discutido.


Quando falamos em roubo de carga, devemos voltar as nossas atenções ainda nas atividades iniciais que envolvem todo o funcionamento da cadeia de suprimentos.

Muitas análises de risco, bem como a avaliação do tipo de uma carga a ser transportada precisam ser fortemente consideradas. Por isso, a importância de sempre abordar os riscos de roubo de carga de forma mais eficaz quando a frequência e o impacto são examinados de maneira separada.


Em suma, se queremos prever os Riscos e Custos quando ocorre o roubo de cargas no transporte rodoviário, precisamos trabalhar em três FASES para esta atividade – são elas:


1ª Fase:

A primeira fase deste método proposto consiste em determinar, com base em redes neurais artificiais, a probabilidade do roubo da carga transportada. Inicialmente, é necessário criar um banco de dados que contenha informações que serão utilizadas como parâmetros na atividade de transporte, como: o tipo de carga transportada, país / região de transporte, duração do transporte, distância, número de paradas, tipo de semirreboques dentre outras informações que corroboram para uma base de dados rica em informações.


2ª Fase:

O objetivo desta próxima fase (neste caso em específico) é realizar, com base nas atividades recorrentes do transporte, bem como o tipo de carga transportada, 120.000 simulações. Nesta etapa, também se faz necessário efetuar através de um software específico, 10.000 simulações para cada tipo de carga a ser transportada. Estas simulações irão determinar a probabilidade da ocorrência do roubo. Com o resultado destas simulações, é possível determinar a probabilidade de roubo para cada tipo de carga e modelo de operação para o transporte.


3ª Fase:

Nesta terceira fase, o objetivo é determinar o valor do seguro para o transporte no qual o aumento do risco de roubo é identificado. Desta forma, é possível verificar o custo a ser aplicado a uma possível perda.


Através de um algoritmo, este custo é possível de ser calculado uma vez que é utilizado com base no valor da carga, no valor das penalidades contratuais previstas em apólice.

Vejamos abaixo, um exemplo:


Com base neste método de predição que estamos apresentando, foi possível identificar nos diferentes tipos de carga transportadas, uma certa probabilidade de roubo.

Como vimos na primeira etapa, é necessário que seja gerada uma base com informações a partir de dados estatísticos que foram utilizados para criar uma rede neural.


O gráfico abaixo mostra inicialmente, os dados que foram coletados no primeiro trimestre do ano de 2016, tendo como base algumas mercadorias específicas que foram transportadas na Europa, onde foram incluídos a porcentagem de roubos de grupos de produtos individuais e o valor médio (em Euros) da carga roubada.



Com embasamento nesses dados e na probabilidade da ocorrência do roubo no transporte rodoviário, foi determinada a probabilidade de roubo em função do tipo de carga transportada.


É importante entendermos que, outros parâmetros que envolvem as atividades de transportes, tais como: transit time, distância, número de paradas e tipos de semirreboque também foram gerados através desta simulação.


Após a realização desta simulação com base nas informações obtidas e imputadas no banco de dados, importantes resultados foram colhidos, e verificou-se também que para cada 4,5 horas de condução havia uma parada e o tempo de condução dependia da distância. A média da velocidade para uma viagem com distância abaixo de 1000 km estava na faixa de 30 a 60 km/h, enquanto que para uma distância superior a 1000 km, a média da velocidade estava acima de 60 a 80 km/h.


Sendo assim, na 2ª. Fase, existe um efeito quanto ao tipo de carga transportada, bem como na probabilidade de roubo que foi simulado. Para isso, 10.000 caixas idênticas foram utilizadas para o transporte, para cada um dos 12 tipos de carga que foram apresentadas no gráfico acima. Com base nos dados recebidos, foi possível comparar o impacto do tipo de carga na probabilidade de roubo.


Na 3ª. Fase, os custos da perda foram calculados com base em algoritmos apropriados que levaram em consideração algumas Variantes (Var) importantes como: (Var I) – Veículo transportador sem sistemas de monitoramento de carga; (Var II) – Veículo transportador com sistemas de monitoramento de carga.


Ao final, (de forma resumida) a gama de resultados que podemos obter é fantástica, pois este método estatístico e, ao mesmo tempo, de predição apresentado nesta publicação, serve para determinar se o tipo de carga transportada contribuiu para a probabilidade da ocorrência de roubo.


Foi necessário realizar um total de 120.000 simulações para diferentes parâmetros e mais 10 mil simulações para cada tipo de carga. Cada um destes casos simulados apresentou uma rota diferente que variavam entre 500 a 3.000 km com uma distância média de 1.751 km e, um tempo de condução dos motoristas que foi identificado entre 8 e 50 horas, com uma média de 24,5 horas.


Com isso, gostaria de concluir que este método desenvolvido permite determinar o risco de roubo de carga e custos relacionados. Vejam que no exemplo apresentado, fatores de transporte como o tipo de carga transportada, a duração do transporte, a distância, o número de paradas e o tipo de semirreboque foram levados em consideração. Todavia, outros fatores importantes, como o dia da semana, o mês, o estado ou a região de transporte, também podem e devem ser usados como dados de aprendizagem no método proposto. O número de paradas é um dos fatores de risco que mais contribuem para a ocorrência de roubo durante o transporte. Porém, a importância dos fatores mencionados é sempre diferente para cada organização e/ou operação.

É por isso que cada organização devem possuir dados muito apurados e bem catalogados em suas operações de transporte para assim, prever com mais assertividade o risco e o controle de custos no processo de transporte de cargas.




O Autor:


Helbert Telles


https://www.linkedin.com/in/helbert-telles-2200883a/



Coordenador Técnico de Gerenciamento de Riscos para Transportes e Auto Frota na Sompo Seguros.


Mestrando em Engenharia de Produção; Especialista (MBA) em Gestão Estratégica e Econômica de Projetos; Bacharel em Administração de Empresas;




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